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Catching Elephant is a theme by Andy Taylor
A música ressoava de fundo, chegando aos poucos aos ouvidos de Jenny; Não é como se ela estivesse mesmo prestando atenção. A cidade era pequena e qualquer feriado virava um motivo para que houvesse uma grande festa na praça principal. Ela nem ao menos sabia por que a mãe decidira viajar para a fazenda bem no feriado em que ela planejara ficar com Leon, evitando a morte.
- Vou pegar um cachorro quente. - ela levantou sem vontade, avisou a mãe entretida na conversa e saiu esvoaçando a saia preta.
Desviou da barraca de cachorro quente sem olhar para trás, segura de que sua mãe nem notara sua saída. A cada passo o som ficava mais e mais distante, e ela cada vez mais perto da igreja. Não era religiosa, mas naquele momento queria ficar sozinha e o único lugar seguro o bastante era em chão sagrado.
O frio apertou e Jenny puxou os braços contra o peito para se proteger. Vestia uma regata preta com uma saia preta longa e uma bota de cano alto só para deixar a mãe mais brava e lembrar a todos na cidade que ela era de fora e não queria conversa.
As únicas coisas que reluziam no modelo de Jenny eram de uma prata grossa e rodeavam seu pescoço. Um crucifixo enorme junto de uma aliança grossa e pesada.
Ela virou no beco para subir a rua e entrar pelos fundos da Igreja. O som das músicas praticamente não se ouvia mais. O único barulho na subida era de suas botas batendo contra o cimento. Mas Jennifer era experiente o bastante para saber que nem sempre silêncio significa segurança.
Parando no lugar abaixou até a panturrilha, de ouvidos atentos, e puxou uma pequena adaga de prata, dada por Leon. Quando voltou a posição ereta já era tarde demais, alguma coisa a empurrou contra a parede no escuro da noite.
Ela empunhou a adaga antes que o individuo chegasse perto demais, colocando-se em posição de ataque e apertando a lâmina afiada contra o pescoço de alguém.
- Hm, bem protegida. - das sombras que a prensavam uma voz conhecida soou. Ela afrouxou a adaga sem tirá-la do lugar.
- Fui bem ensinada - sorriu.
- É? Sortuda de ter alguém que se importe a este ponto. - Leon tirou o rosto das sombras e abriu um sorriso malicioso, de lado.
- Você quase me assustou.
- Prometo que vou me esforçar da próxima vez. - soltou um grunhido no pé do ouvido de Jenny.
Leon vidrou os olhos de predador nos olhos cinzentos de Jennifer e escorregou as mãos pela cintura da menina. Ela verteu o pescoço para trás, acomodou-se no cimento às suas costas e se deixou levar.
As mãos dele correram por de baixo da saia de Jenny, queimando, acariciando. A adaga caiu no chão com um barulho agudo e as mãos da garota agarraram todas as mechas do cabelo negro de Leon. Os gemidos ecoaram beco adentro.
- Senti sua falta - ele sussurrou, vestindo a amada com ternura.
- Estive longe por apenas um dia.
- Uma eternidade. - ele corrigiu, exibindo seus dentes brancos.
- Você sabe que em pensamento estava chamando por você. - ela o olhou de cima enquanto ele colocava suas botas para ela.
- Você sabe que eu ouvi. - ergueu-se e de olhos abertos deu-lhe um selinho. - Vou te levar para a fazenda hoje.
- Não posso. Você sabe que tenho que voltar com minha mãe, do contrário ela vai pirar e vou ficar de castigo por duas décadas.
- Você sabe que posso esperar duas décadas, não? - ele riu. - Só por hoje você volta com ela, mas fique atenta na janela, estarei lá quando chegar. - lá estava novamente o sorriso maroto de Leon, o charme, o enigma. Ele transpirava proibição, e ela adorava. - Não se esqueça do seu amuleto. - ele olhou para baixo e ela acompanhou o olhar no crucifixo que antes estava no pescoço de Jenny.
- Como você - quando levantou a cabeça Leon não estava mais lá, já tinha se misturado a escuridão. Jennifer sorriu com leveza e soube que ele ainda a estava vigiando.
Abaixou-se, pegou seu colar e a adaga. Colocou a lâmina dentro de uma das botas, em seu lugar seguro e levantou para fechar o colar no pescoço. Ela sorriu sozinha, imaginando se Leon estaria em cima das casas ao redor ou apenas atrás de algum poste olhando-a de muito longe, ouvindo-a a cada passo tranqüilo.
Por aquela noite Jenny estava satisfeita de não ter perdido seu dia sem o amado, e agora sabia que ele conseguira resolver todos os empecilhos para ficar do lado dela durante o feriado. Ela sabia que seria o melhor feriado da vida dela, e com essa convicção correu para a igreja confessar seus sujos pecados.
“Ao amor renego minhas crenças e pré-conceitos. Por amor hei de perecer aos olhos de quem nunca provou da fruta.” – Thatiane G. Bergamo.
Eu sorri novamente, e de olhos fechados ergui a cabeça e verti o pescoço para trás agradecendo por ter encontrado um motivo suficientemente bom para morrer. Quando finalmente consegui erguer minhas mãos agarrei os cabelos lisos de minha amada, segurando-me em seu pescoço, sentindo a quentura do corpo dela. Ela ergueu o rosto e me puxou mais ainda para perto, apertando cada vez mais, chorando e acariciando minhas costas ensangüentadas e abertas em nervos e ossos.
